Acordo  UE–Mercosul  deverá abrir as portas da Europa à cachaça brasileira

Acordo foi firmado ontem (28) e deverá facilitar a entrada da cachaça em território europeu

O acordo bilateral assinado entre a União Europeia e o Mercosul traz em seu bojo a abertura dos países europeus que compõem o bloco para a cachaça brasileira. O resumo do acordo, emitido ontem pela governo brasileiro, destaca:

Em propriedade intelectual, destacam-se os compromissos logrados em indicações geográficas que beneficiam produtores e consumidores da UE e do MERCOSUL. As indicações geográficas de produtos agrícolas brasileiros, como as de cachaça, vinho e café, serão reconhecidas e protegidas no território europeu

Será que, finalmente, a cachaça ganhará o mundo?

Um grande mercado aberto à cachaça

Pelo tratado, as tarifas impostas à exportação de bebidas alcoólicas  dos países do Mercosul serão reduzidas, através de um regime de quotas. Isso beneficiará diretamente, por exemplo, os vinhos argentinos e a nossa cachaça. A avaliação do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) é de que o reconhecimento e proteção da Indicação Geográfica da Cachaça pelo bloco europeu, que é um dos maiores mercados de exportação do destilado brasileiro, resultará no aumento das vendas externas para a Europa.

Em comunicado oficial, o diretor executivo da IBRAC, Carlos Lima, aponta que a exportação da cachaça para a União Européia fica bem abaixo do potencial, se considerado o montante que o bloco importa de outras bebidas que também são provenientes da cana, a exemplo do rum. Em 2018 a UE importou US$ 1,22 bilhão em bebidas produzidas a partir da cana-de-açúcar. No mesmo ano a exportação de cachaça para o bloco foi de apenas US$ 7,84 milhões.

Outro ponto importante a ser destacado, segundo Carlos Lima, foi a posição do governo brasileiro em relação ao tema da proteção de Indicações Geográficas. Isso  permitirá um avanço nas negociações para que outros países também reconheçam a bebida como tipicamente brasileira. A cachaça é a primeira Indicação Geográfica do Brasil, protegida através do Decreto 4.062/2001. Até o momento, os países que reconhecem a cachaça e a  protegem são: Estados Unidos, México, Colômbia e, mais recentemente,  Argentina.

Ainda, segundo Lima, o acordo vai assegurar que apenas os produtores brasileiros possam fazer uso da denominação Cachaça na União Europeia, o maior mercado consumidor de destilados do mundo.

É importante frisar que o acordo, como um todo, ainda passará pelo crivo do Congresso brasileiro.

O outro lado

Em entrevista ao portal UOL, o ex  Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avalia que o acordo veio em momento ruim, pois os  dois principais negociadores do grupo – Brasil e Argentina – estão fragilizados política e economicamente. Ele atribui a isso a pressa europeia em fechar o pacto. Ainda, segundo Amorim, é muito provável que alguns itens tragam flagrante desvantagem ao Brasil. O documento final ainda não foi divulgado, há que esperar para ter acesso ao texto formatado pelas partes, para embasarmos melhor nossas opiniões.

Pelo princípio da bilateralidade no acordo, todos os incentivos e benesses para as exportações brasileiras também  terão que ser concedidas às exportações do Bloco Europeu para o Brasil. Assim, para o caso das bebidas alcoólicas, teremos  um mercado com  grandes marcas internacionais entrando no Brasil (vinhos, destilados, cervejas, etc). Como as tarifas serão zeradas ou reduzidas, haverá uma briga forte pelo consumidor brasileiro, o que levará a uma concorrência direta com a cachaça e demais bebidas alcoólicas fabricadas aqui.

Outro ponto a ser salientado é a possível necessidade de maior esforço de adequação dos produtores a eventuais exigências químico-sanitárias dos países europeus, que pode ser imposta à cachaça. Isso levaria a alterações nas especificações do MAPA para a bebida. Cito como exemplo o controle maior do carbanato de etila e dos metais pesados, cujos índices já foram questionados por importadores alemães.

 

Mercado informal

Consultado por este blog, o analista técnico em comércio exterior Marcus Baronni pontuou que é muito provável que uma das contrapartidas que os destiladores europeus deverão impor ao Mercosul será uma maior fiscalização e controle sobre o mercado informal, particularmente das cachaças no Brasil. A informalidade no Brasil hoje gira em torno de 40% e seu combate sempre foi uma luta histórica e inglória dos produtores brasileiros.

Segundo Baronni, os europeus conhecem o mercado brasileiro de destilados e, logicamente, querem aumentar sua base de potenciais consumidores. A extinção da informalidade, ou seu maior controle, beneficiaria diretamente toda a cadeia produtiva da cachaça e, indiretamente, abriria maior mercado aos produtos importados.

 

Só nos resta esperar para ver e entender sobre mais esse capítulo da história de nossa amada CACHAÇA.

comentários - Acordo  UE–Mercosul  deverá abrir as portas da Europa à cachaça brasileira

  1. Artur cézar Disse:

    Agora entendo porque o acordo não saiu antes! O cachaceiro preso, consumidor de gasolina da petrobrás fora o etanol, queria a cachaça só pra ele! rsrsrsrsrs

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