UEPB: Laboratório desenvolverá pesquisas para melhoria da cachaça paraibana

Medida agrada aos produtores e deverá aumentar a qualidade das cachaças fabricadas no Estado

A Paraíba é referência nacional na produção de cachaças de qualidade, mas ainda carece de uma estrutura laboratorial que permita fazer análises químicas do destilado. Atualmente, todas as análises para avaliar o perfil químico das cachaças fabricadas por aqui são feitas fora do Estado (ganham com isso os laboratórios sudestinos e o  Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), endereço preferencial dos produtores paraibanos).  Os laudos de análises são fundamentais para a comprovação, junto ao Ministério da Agricultura, de que o produto atende aos parâmetros químicos de qualidade exigidos pela legislação federal, estando apto ao consumo humano.

É importante frisar que cada exame tem um custo aproximado de R$ 600, valor esse que “afugenta” quem quer se legalizar e reforça a informalidade.

O mesmo problema ocorre com as leveduras utilizadas na fermentação do caldo da cana-de-açúcar que será destilado. Essas leveduras, na maioria das vezes, ou são adquiridas comercialmente a altos preços, ou são desenvolvidas no próprio engenho, sem um mínimo de tecnologia, o que não assegura a qualidade do produto final. Leia a importância das leveduras na produção de cachaças nesse meu post.

Laboratório de Microbiologia e Fermentação

Sensível a essa necessidade e buscando minorar nossa carência técnica,  o Centro de Ciências Agrárias e Ambientais (CCAA) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Campus de Lagoa Seca, criou o Laboratório de Microbiologia para Fermentação.

Construído dentro do Complexo Agroindustrial do Campus II, o laboratório vai realizar pesquisas com leveduras para fermentação alcoólica. O objetivo final é isolar cepas específicas usadas na fabricação da cachaça nos engenhos de alambique do Estado.

Conforme explicou o diretor do Campus, professor José Félix, o laboratório dará suporte às pesquisas realizadas com fermentação alcoólica para melhorar a qualidade da cachaça produzida na região. A maioria dos produtores de cachaças do Estado, segundo ele, ainda trabalham de forma artesanal e isolados, necessitando de tecnologias e pesquisas no que diz respeito à fermentação do produto.

“Com esse laboratório, vamos poder realizar pesquisas importantes de algumas leveduras específicas que, porventura, possam ocorrer na região, sobretudo no Brejo, isolar e trabalhar com melhorias de leveduras através da biotecnologia”, explica o professor.

O Laboratório, em convênio com a Fapesq, ainda receberá mais R$ 187 mil em equipamentos

O laboratório vai operar em sintonia com o engenho de alambique do CCAA, que já produz licor, vinho e a cachaça Serra da Borborema. Professor Félix ressaltou que a ideia não é comercializar a cachaça, mas criar uma identidade com o produto. Em breve, o laboratório receberá outros equipamentos modernos, graças ao convênio da Instituição com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), em um investimento de R$ 187 mil na unidade.

Um exemplo a ser seguido

O anseio dos que atuam na cadeia produtiva da cachaça na Paraíba é que esse tipo de iniciativa da UEPB seja replicado às outras instituições.  Assim, poderá ser oferecido o suporte técnico necessário à produção de qualidade das cachaças, incitando os produtores informais a legalizarem seus produtos por meio de diminuição de custos e acessibilidade das tecnologias.

Um exemplo que pode ser seguido é o da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Lá foi criado o Laboratório de Análises de Qualidade de Aguardente (LAQA). Esse laboratório realiza análises, pesquisas e cursos voltados à aguardente, vende seus serviços à iniciativa privada e se autossustenta com isso.

As análises realizadas no Laboratório seguem os procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em que constam todas as análises exigidas, sendo os laudos emitidos de acordo com os parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira, atestando a qualidade do produto comercializado.

Então, parabéns à UEPB e que outras  boas notícias como essa venham em breve, a Paraíba e suas deliciosas cachaças agradecem.

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