Acordo  UE–Mercosul  deverá abrir as portas da Europa à cachaça brasileira

Acordo foi firmado ontem (28) e deverá facilitar a entrada da cachaça em território europeu

O acordo bilateral assinado entre a União Europeia e o Mercosul traz em seu bojo a abertura dos países europeus que compõem o bloco para a cachaça brasileira. O resumo do acordo, emitido ontem pela governo brasileiro, destaca:

Em propriedade intelectual, destacam-se os compromissos logrados em indicações geográficas que beneficiam produtores e consumidores da UE e do MERCOSUL. As indicações geográficas de produtos agrícolas brasileiros, como as de cachaça, vinho e café, serão reconhecidas e protegidas no território europeu

Será que, finalmente, a cachaça ganhará o mundo?

Um grande mercado aberto à cachaça

Pelo tratado, as tarifas impostas à exportação de bebidas alcoólicas  dos países do Mercosul serão reduzidas, através de um regime de quotas. Isso beneficiará diretamente, por exemplo, os vinhos argentinos e a nossa cachaça. A avaliação do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) é de que o reconhecimento e proteção da Indicação Geográfica da Cachaça pelo bloco europeu, que é um dos maiores mercados de exportação do destilado brasileiro, resultará no aumento das vendas externas para a Europa.

Em comunicado oficial, o diretor executivo da IBRAC, Carlos Lima, aponta que a exportação da cachaça para a União Européia fica bem abaixo do potencial, se considerado o montante que o bloco importa de outras bebidas que também são provenientes da cana, a exemplo do rum. Em 2018 a UE importou US$ 1,22 bilhão em bebidas produzidas a partir da cana-de-açúcar. No mesmo ano a exportação de cachaça para o bloco foi de apenas US$ 7,84 milhões.

Outro ponto importante a ser destacado, segundo Carlos Lima, foi a posição do governo brasileiro em relação ao tema da proteção de Indicações Geográficas. Isso  permitirá um avanço nas negociações para que outros países também reconheçam a bebida como tipicamente brasileira. A cachaça é a primeira Indicação Geográfica do Brasil, protegida através do Decreto 4.062/2001. Até o momento, os países que reconhecem a cachaça e a  protegem são: Estados Unidos, México, Colômbia e, mais recentemente,  Argentina.

Ainda, segundo Lima, o acordo vai assegurar que apenas os produtores brasileiros possam fazer uso da denominação Cachaça na União Europeia, o maior mercado consumidor de destilados do mundo.

É importante frisar que o acordo, como um todo, ainda passará pelo crivo do Congresso brasileiro.

O outro lado

Em entrevista ao portal UOL, o ex  Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avalia que o acordo veio em momento ruim, pois os  dois principais negociadores do grupo – Brasil e Argentina – estão fragilizados política e economicamente. Ele atribui a isso a pressa europeia em fechar o pacto. Ainda, segundo Amorim, é muito provável que alguns itens tragam flagrante desvantagem ao Brasil. O documento final ainda não foi divulgado, há que esperar para ter acesso ao texto formatado pelas partes, para embasarmos melhor nossas opiniões.

Pelo princípio da bilateralidade no acordo, todos os incentivos e benesses para as exportações brasileiras também  terão que ser concedidas às exportações do Bloco Europeu para o Brasil. Assim, para o caso das bebidas alcoólicas, teremos  um mercado com  grandes marcas internacionais entrando no Brasil (vinhos, destilados, cervejas, etc). Como as tarifas serão zeradas ou reduzidas, haverá uma briga forte pelo consumidor brasileiro, o que levará a uma concorrência direta com a cachaça e demais bebidas alcoólicas fabricadas aqui.

Outro ponto a ser salientado é a possível necessidade de maior esforço de adequação dos produtores a eventuais exigências químico-sanitárias dos países europeus, que pode ser imposta à cachaça. Isso levaria a alterações nas especificações do MAPA para a bebida. Cito como exemplo o controle maior do carbanato de etila e dos metais pesados, cujos índices já foram questionados por importadores alemães.

 

Mercado informal

Consultado por este blog, o analista técnico em comércio exterior Marcus Baronni pontuou que é muito provável que uma das contrapartidas que os destiladores europeus deverão impor ao Mercosul será uma maior fiscalização e controle sobre o mercado informal, particularmente das cachaças no Brasil. A informalidade no Brasil hoje gira em torno de 40% e seu combate sempre foi uma luta histórica e inglória dos produtores brasileiros.

Segundo Baronni, os europeus conhecem o mercado brasileiro de destilados e, logicamente, querem aumentar sua base de potenciais consumidores. A extinção da informalidade, ou seu maior controle, beneficiaria diretamente toda a cadeia produtiva da cachaça e, indiretamente, abriria maior mercado aos produtos importados.

 

Só nos resta esperar para ver e entender sobre mais esse capítulo da história de nossa amada CACHAÇA.

Cachaça e Rum: Você sabe as diferenças e semelhanças?

A cachaça e o rum têm a mesma matéria-prima: a cana-de-açúcar. Mas a brasileira cachaça e o caribenho rum  não são a mesma coisa. Aqui, na Confraria do Copo, explicamos as diferenças e semelhanças.

 

CACHAÇA É BRASILEIRA

O nome cachaça está protegido por lei e a sua produção está restrita ao Brasil. De acordo com a legislação brasileira, o Decreto 6871/2009, art. 53, define-se cachaça como:

“A denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil. Sua graduação alcoólica deve ser de 38 a 48 por cento em volume, a vinte graus Celsius. Sua obtenção deve ser pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares. Podendo ser adicionada de açúcares até 6 gramas por litro”.

A cachaça e o rum têm na cana-de-açúcar a sua matéria prima

Apesar de ser de origem caribenha e ter como principal região de produção os países da América do Sul e Central, o rum é um destilado que pode ser produzido em qualquer lugar do mundo.

RUM É DO MELAÇO

A principal diferença no processo de produção entre os dois destilados, é que o rum é feito com o caldo cozido da cana, o melaço, um subproduto do processo de produção do açúcar. Já a cachaça, historicamente, sempre foi feita com o suco fresco, que a gente chama de garapa. De acordo com o professor Patterson Patricio de Souza, da Universidade Federal de Minas Gerais, essa diferença no processo resulta em uma composição química própria. Isso diferencia os destilados e traz distintas propriedades sensoriais. Patricio explica que ao cozinhar o caldo da cana, as substâncias presentes no produto, como os ésteres, os aldeídos e o álcool superior são alterados, modificando o sabor final da bebida.

O rum é feito do melaço (mel-de-engenho)

O RHUM AGRICOLE

No entanto, pelo Caribe, em países de colonização francesa, como Guadalupe, Martinica e Haiti, há um tipo especial de rum chamado Rhum Agricole que é feito a partir do caldo de cana espremido na hora. A versão caribenha, apesar de também ter como matéria prima a garapa, apresenta diferenças importantes em relação à cachaça. O teor alcoólico pode chegar a até 70% em algumas regiões e a destilação predominante em colunas de inox, enquanto a maioria dos produtores de cachaça destilam utilizando alambiques de cobre.

A cachaça e o rhum agricole são feitos do caldo de cana, enquanto o rum é feito do melaço ou uma combinação de caldo de cana com melaço.

RUM TEM MAIOR GRADUAÇÃO ALCOÓLICA

Como vimos na nossa legislação, a cachaça pode ter graduação alcoólica entre 38% a 48%. Já o rum pode passar desses limites. Mais uma vez, vamos recorrer ao Decreto 6871/2009, agora apontando o artigo 54 que define o rum.

Pela legislação brasileira, o rum, rhum ou ron é a bebida com graduação alcoólica de 35% a 54% em volume, a vinte graus Celsius. Sua obtenção é a partir do destilado alcoólico simples de melaço, ou da mistura dos destilados de caldo de cana-de-açúcar e de melaço. O envelhecimento deve ser em recipiente de carvalho ou madeira equivalente, conservando suas características sensoriais peculiares.

A cachaça só pode ser produzida no Brasil, já o rum pode ser feito por qualquer país.

 

O CARVALHO E AS OUTRAS MADEIRAS

Tanto a cachaça como o rum podem ser consumidos na sua versão branquinha, aquela que não passa por madeira. No entanto, as duas bebidas têm suas versões armazenadas ou envelhecidas em barris de madeira. E aí está um dos grandes potenciais da cachaça!

A cachaça é uma das poucas bebidas alcoólicas que não envelhecem apenas em carvalho. Madeiras nacionais como amburana, jequitibá, ipê, bálsamo e várias outras são utilizadas para o envelhecimento ou armazenamento da bebida. Cada madeira concede uma cor, um aroma e um sabor característico. O potencial gastronômico dessa particularidade é imenso. Basta imaginar a possibilidades de harmonização com ingredientes e pratos da cozinha brasileira e de outros países.

AS ORIGENS DA CACHAÇA E DO RUM

De acordo com pesquisador Wayne Curtis, autor do livro And a Bottle of Rum: A History of the New World in Ten Cocktails, o rum surgiu no começo do século XVII nas colônias britânicas do Caribe, provavelmente em Barbados. O rum teria sido originado  dos subprodutos da indústria do açúcar, antes considerados lixos indesejados e muitas vezes descartados no mar. Já uma versão rudimentar de cachaça era produzida no litoral brasileiro entre 1516-1532, fazendo da aguardente brasileira o primeiro destilado da América. A cachaça é mais antiga do que o pisco (Peri e Chile), a tequila e mezcal (México), o rum (Caribe) e o bourbon (EUA).

Os holandeses e a cachaça fizeram o rum ganhar o mundo.

As histórias dos dois destilados se entrelaçam, inclusive em terras brasileiras. Os holandeses já produziam destilados de cana-de-açúcar num processo parecido com a fabricação do rum. Isso no início do século XVII.

Com a expulsão dos holandeses de Recife eles levaram a cana e os equipamentos de destilação para o Caribe. Esse pode ser o motivo do rum ter se tornando mundialmente mais famoso do que a cachaça brasileira, pois os holandeses eram ótimos comerciantes. Além disso tinham a estrutura da Companhia das Índias Ocidentais para levar a produção caribenha para a Europa.

 

 

Fontes:  American University Washington e bebidaexpressblog.com.br

De João Pessoa a Campina Grande via Brejo Paraibano: muita história, cachaça e forró

Este blog é sobre cachaças, mas como festa junina, história e  forró  também têm tudo a ver com a Paraíba, eu preparei um misturão com esses elementos.

 

Aproveitando o mote junino, fiz um trajeto para quem quer ir de João Pessoa a Campina Grande pra forrozar no Maior São João do Mundo (programação). O roteiro inclui o Brejo Paraibano, onde você poderá conhecer um pouco da história e das belezas arquitetônicas e naturais da região e, claro,  saborear algumas das melhores marcas de cachaças produzidas  no Brasil.

Pré-requisitos: alguém que dirija e não beba, disposição para degustar cachaças deliciosas e uma boa câmera fotográfica

Sobrado

Engenho Nobre: cachaças premiadas dentro e fora do Brasil

Logo no começo da viagem, na BR-230, Km 71, você encontra o Engenho Nobre. Ele fica às margens da BR,  na região da cidade de Sobrado, mas no sentido Campina – João Pessoa, então você vai ter que fazer um retorno.

O Engenho fabrica as cachaças Sapequinha e as premiadas  Nobre, e Arretada  (medalha de prata no San Francisco Distilled Spirits Competition, 2019). Lá você tem visitação ao engenho, degustação na adega e pode comprar cachaças na lojinha. Os preços são bem inferiores aos encontrados no mercado. O proprietário é um mineiro-paraibano  super simpático e comunicativo (posso passar o contato dos proprietários por e-mail para quem tiver interesse em marcar uma visita).

Alagoa Grande

Seguindo em frente, no Km 112 da BR-230,  você vai sair da BR e pegar a PB-079. O destino é o Brejo paraibano e a cidade,  Alagoa Grande (1865) –  terra de Jackson do Pandeiro. Mas não vá com tanta sede ao pote das cachaças, conheça antes um pouco da cidade.

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Cachaça Volúpia, várias vezes eleita uma das melhores do Brasil

Dê um tempinho para umas fotos no “Pandeirão”, o portal de entrada do município. Você pode visitar o museu Jackson do Pandeiro, que possui vários objetos pessoais do Rei do Ritmo. Visite também o Teatro Santa Ignêz, construído em 1905. Conheça a Casa de Margarida Maria Alves, onde são guardadas a memória e a história dessa que foi a maior líder sindical brasileira de todos os tempos.

Agora as cachaças: siga para o engenho Lagoa Verde, que fabrica a nacionalmente conhecida e multipremiada Cachaça Volúpia. Você terá a visitação ao engenho e poderá se deliciar com um belo café da manhã ou com o famoso almoço regional do restaurante Banguê, que fica na propriedade. O engenho possui várias opções de turismo ecológico. Excelente oportunidade para se contemplar as belezas naturais do Brejo Paraibano. Na hora das compras, há uma elegante lojinha que vende as cachaças do engenho a preços excelentes.

Em Alagoa Grande você também deve ir ao Engenho Gregório de Baixo, que fabrica a ótima cachaça Gregório. Uma potência de 45 graus de teor alcoólico,  mas de suavidade e sabor que impressionam.

Areia

Siga 18 Km à frente, ainda pela PB-079 até a belíssima e histórica cidade de Areia (1846),  berço do pintor Pedro Américo e do escritor José Américo de Almeida. A cidade tem seu centro histórico tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O conjunto histórico e urbanístico de Areia foi tombado, em 2006. Para o tombamento, o IPHAN baseou-se no valor histórico, urbanístico e paisagístico atribuído ao conjunto, pela ativa participação da cidade nas revoluções ocorridas no século XIX.

Você vai se encantar com a beleza da cidade. Conheça o Teatro Minerva, inaugurado em 1858, vá ao Museu da Rapadura e ao Museu Casa de Pedro Américo. Conheça a antiga Igreja de Nossa Senhora do Livramento, construída em 1861. Curta o clima bucólico da cidade e tire belas fotos nas simpáticas ruas de paralelepípedo com suas casas coloniais. Além disso tudo, a cidade também organiza um São João bem tradicional, com forró pé-de-serra e comidas típicas.

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Cachaça Triunfo: portfólio variado e muitas vezes premiado

A cidade, por si só, já vale a visita, mas nosso passeio inclui cachaças, então siga para o Engenho Triunfo.

O Engenho possui uma ótima infraestrutura turística e é aberto todos os dias para visitas guiadas. Ao fim da visita, há uma degustação de cachaças, além de frutas, caldo-de-cana e até sorvete de cachaça. Você prova e depois, se quiser, compra na loja. Uma variedade incrível de produtos. São belas opções para a sua adega, para presentear e claro, pra tomar umas boas doses também.

Logo depois do Engenho Triunfo, você vai encontrar o Engenho Vaca Brava, da também premiada Cachaça Matuta. Eles fazem visitação guiada, que inclui a loja para degustação e venda de cachaças e outros produtos. É um belo passeio num dos lugares mais bonitos da Paraíba.

Cuidado nas compras

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Ouro na Expocachaça 2019

Areia possui mais de 40 engenhos e você pode encontrar dezenas  de cachaças excelentes com preços super camaradas no comércio local. A variedade é enorme, então aconselho a você procurar as cachaças registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Consulte no rótulo da cachaça se é mostrado o número desse registro. Se não tiver, não compre, pois pode ser um produto clandestino ou sem inspeção sanitária. Essa dica vale para a compra de cachaças em qualquer lugar que você visitar.

Ipueira Carvalho: a melhor da categoria na Expocachaça 2019

Dentre as cachaças da região posso citar as que integram a APCA (Associação dos Produtores de Cachaça de Areia): a Turmalina da Serra (cachaça simplesmente espetacular), Aroma da Serra, Vitória, Princesa do Brejo, Ipueira, Elite e a Cristal de Areia. Vários engenhos também possuem lojinhas na cidade, é só procurar que você encontra.

 

Bananeiras

Invista um pouco mais de tempo (vai valer muito a pena) e dê uma esticada para conhecer outra joia arquitetônica preservada  da Paraíba:  a cidade de Bananeiras (1879). Fica há 50 Km de Areia. Nas pequenas ruas do Centro Histórico, o casario reúne mais de 80 construções tombadas pelo IPHAEP – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estado da Paraíba. A região foi primeiramente produtora de cana-de-açúcar e depois de café. Em 1852, a produção cafeeira chegou a ser a segunda do Nordeste. Isto tornou a cidade uma das mais ricas da região, riqueza esta expressa na arquitetura de seus casarões

Em meio ao frio que proporciona por sua localidade, com 526 metros de altitude, a cidade consegue transmitir o calor acolhedor a quem a visita.

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Sinônimo do estilo paraibano de se fazer cachaça

Dois engenhos das tradicionais aguardente Rainha e cachaça Cascavel mostram aos turistas suas instalações e explicam sobre o processo de fabricação da cachaça. Como eles ficam na área rural da cidade, em vias sem sinalização, vale passar antes pela Casa do Turista, na Praça Epitácio Pessoa, para perguntar sobre o caminho – se preferir, o lugar oferece guias para acompanhar o passeio.

O engenho Goiamunduba fabrica, desde 1854, a maravilhosa aguardente Rainha, que é a aguardente de cana mais forte comercializada no Brasil. “Forte” entre aspas, pois o produto é tão bem feito e suave que, ao beber, você não sente que está ingerindo 50% de álcool. A Rainha, tecnicamente, não pode ser chamada de cachaça, e sim de aguardente, devido ao seu alto teor alcoólico – isso porque a legislação só considera cachaça se tiver graduação alcoólica entre 38% e 48%.  Mas é uma bebida respeitada por todos os especialistas em cachaça do Brasil, tonando-se sinônimo da produção cachaceira da Paraíba.

 

Alagoa Nova

Retorne para Areia e, já no caminho para Campina Grande, percorra mais 18 quilômetros, até a cidade de Alagoa Nova (1904), pela PB-097. A cidade também investe no tradicional São João, em junho. Agosto é reservado à Festa da Galinha e da Cachaça e também à Rota Cultural Caminhos do Frio. Dessa rota, participam quase todas as outras cidades do Brejo Paraibano. Nossa parada será no engenho Novo e Beatriz, onde se fabrica a também premiada cachaça Serra Preta, que é outra pauleira de 45% de álcool, mas super bem resolvida e equilibrada.

 

Campina Grande

Até Campina Grande (1864) são só mais 30 Km. A essa altura você deve estar num pé e noutro para aproveitar seu São João e beber suas cachacinhas, mas, calma!

Como Campina é a cidade polo de todo o Agreste da Paraíba, vá antes à Feira Central, pertinho, no centro da cidade. Procure a rua das cachaças, que possui vários comércios de bebidas que vendem praticamente todas as marcas produzidas no Estado. É uma ótima opção de compra, além de render fotos excelentes na Feira de Campina Grande, que, desde 2017 é reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil.

Em Campina você ainda pode misturar forró e cachaça em vários outros locais, como: Estação do Turista, na Vila do Artesão e no Salão do Artesanato de Campina Grande.

Chegamos ao fim do nosso passeio!

Agora é só se deliciar com esses verdadeiros orgulhos da Paraíba. Curta sua bebida no Parque do Povo, em ótima companhia e ao som de um bom forró pé de serra.

Espalhados pela Paraíba existem vários outros engenhos com excelentes cachaças, esta foi uma amostra. Conheça tudo sobre nossa produção cachaceira acompanhando este blog e a coluna Confraria do Copo, na CBN João Pessoa.

Feliz São João!

Pra falar comigo, escreva um comentário aqui ou mande e-mail mauricio@rotulobrasil.com.br .

O WhatsApp direto é 83 9 8793 6402.

OLX se manifesta sobre venda ilegal de “cachaças” em sua plataforma

No dia 17 de junho último este blog publicou a seguinte matéria: OLX e Mercado Livre ignoram legislação e permitem venda de “cachaça” clandestina. Na postagem denunciamos os fortes indícios de que as duas plataformas ignoravam a legislação e permitiam a venda de “cachaças” clandestinas, com consequente sonegação de impostos e desrespeito aos normativos sanitários do país (leia a íntegra da matéria aqui).  Como resposta, recebemos um posicionamento da plataforma OLX. Confira abaixo:

Posicionamento:

“Em resposta à matéria publicada pelo Confraria do Copo, blog do Jornal da Paraíba, a OLX esclarece que a atividade da empresa consiste na disponibilização de espaço para que usuários possam anunciar e encontrar produtos e serviços de forma rápida e simples. Diariamente, quase 500 mil anúncios são inseridos na plataforma. Toda negociação é realizada fora do ambiente do site, portanto, a empresa não faz a intermediação ou participa de qualquer forma das transações, que são feitas diretamente entre os usuários.

A OLX reforça que a ferramenta foi criada para auxiliar no desenvolvimento social e econômico do país e que os usuários devem respeitar os Termos e Condições de Uso do site (http://go.olxbr.com/termos-condicoes-olx). O anúncio de itens ilegais é expressamente proibido no site (http://go.olxbr.com/produtos-servicos-proibidos-olx).

Vale lembrar que a OLX também disponibiliza um botão de denúncia em todos os seus anúncios, possibilitando que qualquer pessoa denuncie eventuais práticas irregulares ou conteúdos indevidos. Nestes casos, a empresa consegue deletar o anúncio e banir o usuário da plataforma.

A OLX reforça que está sempre à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário para a apuração dos fatos”.

jeferson cruz | assistant account executive

OLX e Mercado Livre ignoram legislação e permitem venda de “cachaça” clandestina

As duas plataformas apresentam fortes indícios de que se tornaram um campo fértil à clandestinidade e sonegação de impostos

Reprodução de tela do site Mercado Livre, consultado em 16/06/2019

Procurando repor a minha coleção de cachaças – constantemente sabotada por este que vos escreve -, fui fazer uma pesquisa no Mercado Livre (ML), para adquirir algumas garrafas da minha bebida preferida. Após alguns minutos de busca, comecei a perceber algo estranho: “cachaças” ditas “artesanais” sendo oferecidas a granel em garrafas plásticas de refrigerante ou em botijões de 5 e 20 litros .

– Pode isso?

– Não!!!!!

Teriam que ter a sua comercialização vedada. A legislação vigente proíbe a venda de cachaça para o consumidor final em embalagem contendo mais de 1 litro de bebida. Pior, percebi sinais de que a lei estava sendo transgredida de vários modos por um sem-número de pessoas.

No Mercado Livre, vale tudo?

Com surpresa e tristeza, eu concluí que o ML, supostamente, funciona como ambiente propício para o comércio de aguardentes clandestinas. Aparenta ser um verdadeiro território sem lei, dando a impressão de que vale tudo.

Apesar de ser uma exigência legal, vários são os anunciantes que ofertam aguardentes e que, claramente, não possuem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Esta é uma situação totalmente inadequada. A venda teria que ser barrada desde o seu nascedouro.

A comercialização desses produtos representa flagrante crime de natureza sanitária, contra a saúde pública, além de possíveis irregularidades por fraude e sonegação fiscal.

Pesquisando mais a fundo, concluí que a prática, além de ser proibida pela legislação brasileira, é vedada pelos próprios termos de uso do ML, que estabelecem:

Não é permitido anunciar e/ou solicitar produtos que não são homologados, aprovados ou registrados pelos órgãos nacionais correspondentes, por exemplo: ANVISAANATELINMETROMAPA ou ANS

É um caso clássico em que a prática passa longe do discurso.

OLX

Indo mais além, constatei que o mesmo ocorre com outra grande plataforma de comércio eletrônico, a OLX. Lá, eu encontrei várias indícios do mesmo desrespeito à Lei: aguardentes sendo comercializadas ilegalmente.

Após a publicação desta matéria, a OLX se manifestou sobre o assunto, confira no final do texto.

Reprodução de tela do site OLX, consultado em 16/06/2019

A OLX, formalmente, também proíbe a comercialização desses produtos, mas não foi isso que encontrei. Nos seus termos de uso, ela determina que, ao cadastrar um anúncio, o usuário deve verificar a listagem de produtos proibidos na OLX. Transcrevo a parte que toca a bebidas alcoólicas:

[…] É proibida a venda de produtos sem a homologação, aprovação e registro de órgãos governamentais como, por exemplo, ANVISA, INMETRO, MAPA, ANATEL […] Proibida, também, a venda de bebidas alcoólicas artesanais, massas alimentícias e fermentos em geral.

Toda cachaça comercializada no país deve (ou deveria) ser registrada junto ao MAPA. Os produtos ofertados nessas plataformas, aparentemente, não apresentam nenhum tipo de controle sanitário, o que denota um problema de saúde pública. O fato é que não há a menor garantia de que as aguardentes colocadas à venda no OLX e ML seguem padrões mínimos de qualidade química ou sanitária. Trata-se de bebidas potencialmente nocivas à saúde humana.

 

Comercialização ilegal

 

Reprodução de tela do site Mercado Livre, consultado em 16/06/2019

Eu me passei por comprador interessado em revender a granel e enviei mensagem para vários anunciantes dessas tais bebidas, perguntando se os produtos eram registrados no MAPA. As respostas que recebi, além de lacônicos NÃO, eram que se tratava de produto “artesanal” e que não precisava de registro (mentira !). Um deles me informou que não tinha registro, mas que havia um “acompanhamento sanitário” da produção, seja lá o que isso signifique.

A verdade é que todos sabem que estão incorrendo em ilegalidade e se aproveitam da leniência desses meios de comercialização para burlar a lei e enganar o consumidor. Some-se a isso a inoperância do poder público em fazer uma fiscalização mais séria e efetiva.

Denunciei ao próprio ML e à OLX essas práticas de comercialização ilegal, mas não obtive nenhuma resposta (já era esperado). A surpresa foi que, quando tentei fazer novas perguntas aos tais anunciantes, percebi  que havia sido bloqueado. O ML me retornou dizendo: Você não pode mais fazer perguntas a esse anunciante, tente com outro. Felizmente as evidências ficaram arquivadas no meu e-mail.

 

A regra é clara

Eu embaso tudo aqui relatado com o que estabelece o Decreto 6871 de 2009, que regulamenta a Lei no 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. Determina o Cap. XVIII da referida Lei (grifo meu):

DAS PROIBIÇÕES E INFRAÇÕES

Art. 99.  É proibida e constitui infração a prática isolada ou cumulativa do disposto abaixo:

III – produzir ou fabricar, acondicionar, padronizar, envasilhar ou engarrafar e comercializar bebida e demais produtos nacionais abrangidos por este Regulamento sem o prévio registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

IV – transportar, armazenar, expor à venda ou comercializar bebida desprovida de comprovação de procedência, por meio de documento fiscal, bem como sem registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento […].

 

As plataformas sabem que agem ilegalmente

Posteriormente à decisão de escrever esta postagem, descobri que o problema já é de conhecimento formal do ML, conforme nos esclarece os colegas do site Devotos da Cachaça. Segundo o site, em matéria de maio deste ano, desde 2018 que os responsáveis pela plataforma foram alertados e até agora não foram tomadas medidas efetivas. Leia a reportagem clicando aqui.

É importante salientar que OLX e ML também são utilizados para o comércio de várias marcas legais, que atuam com seriedade e acatam a Lei. Produzem dentro das especificações definidas nas normas pertinentes ao setor da cachaça.

O que não é razoável é que, num mesmo ambiente, concorram pelo consumidor as empresas formais, que pagam impostos e se adequam às exigências legais, e produtores clandestinos, sonegadores de tributos e que fornecem um produto sem nenhum controle sanitário nem o mínimo de respeito com o consumidor final. Dizer que isso é concorrência desleal é querer fazer piada sobre um assunto tão sério.

 

A cachaça merece respeito

Num mercado, literalmente, inundado pela informalidade e clandestinidade, caso os indícios sejam comprovados, a OLX e o ML prestam um verdadeiro desserviço à cachaça de qualidade, produzida dentro da lei. Ao dar abrigo à comercialização de produtos ilegais (o que parece ser o caso), reforçam e fomentam a sonegação, atentam contra a saúde pública, denigrem a imagem do nosso destilado nacional e zombam de todos os que produzem e trabalham legalmente na cadeia produtiva da cachaça, de forma regular, gerando emprego e renda.

Por se tratar de indícios de crime federal, este este editor enviará denúncia à Polícia Federal e ao Ministério Público, juntamente com esta matéria e outras evidências das possíveis ilicitudes encontradas. Vamos solicitar as medidas cabíveis. É uma luta difícil e às vezes inglória, mas a cachaça merece o devido respeito: por quem produz, por quem comercializa e por quem fiscaliza.

CONFIRA O POSICIONAMENTO DA OLX

 

Coluna Confraria do Copo: Premiações da Paraíba na Expocachaça 2019

Na coluna de hoje a gente falou sobre a participação e premiação das cachaças paraibanas na Expocachaça

 

Como eu falei algumas colunas atrás, aconteceu neste final de semana, do dia 06 à 09 de junho, o maior evento de cachaça em nível nacional, foi a 29° EXPOCACHAÇA,  em Belo Horizonte MG. Além da exposição e degustação dos produtos, houve também um concurso com as cachaças participantes, foram mais de 200.

A Paraíba foi representada pela APCA  (Associação dos Produtores de Cachaça de Areia), e teve as suas cachaças submetidas à avaliação dos jurados.

 

Como funciona

A organização do evento passa em cada stand coletando uma amostra de cada marca interessada em participar .

As cachaças são avaliadas por  22 jurados e eles fazem a degustação às cegas dessas cachaças, ou seja, eles não sabem qual a marca estão degustando e assim atribuem uma nota para cada uma. São 9 categorias (branca pura, descansada, carvalho francês, carvalho americano, madeiras brasileiras, blends de madeiras, outros destilados produzidos no Brasil, etc.)  Para cada categoria é dada a premiação de ouro, prata ou bronze.

Para a premiação ouro é necessário obter mais de 90 pontos, Prata de 80 a 89 e Bronze de 70 a 79.

Matuta é ouro

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A Cachaçaria Matuta trouxe ouro este ano

No ano Passado a cachaça Matuta Cristal ganhou medalha de prata, na categoria Branca Pura e este ano, voltou a vencer, dessa vez com medalha de Ouro, só que na categoria Madeiras Brasileiras –foram 5 cachaças que obtiveram pontuação para Ouro. Mas….. essa cachaça ainda não está no mercado.

Fizeram uma produção limitada com a embalagem e rótulo para o concurso, mas só será lançada oficialmente na segunda quinzena de junho deste ano, na Cidade de  Areia. Essa é uma prática comum entre os produtores: testar sua cachaça nos concursos e depois fazer o lançamento, reforçando a qualidade e a premiação, então, é uma cachaça que já vai nascer premiada e eu não estou autorizado a dar maiores detalhes. Por uma questão mercadológica e de marketing a empresa me pediu que eu não fizesse nenhuma divulgação além do que eu estou falando aqui. De qualquer modo, os “matuteiros” de plantão têm muito o que comemorar, e todos os paraibanos também.

Ipueira Carvalho: medalha de prata com brilho de ouro

Ipueira: A melhor em sua categoria

Seguindo com os premiados, na categoria Carvalho Francês, a Cachaça Ipueira também de Areia, ganhou a medalha de Prata –foram 9 cachaças que obtiveram pontuação para a prata e a Ipueira foi a melhor colocada dentre todas as concorrentes. Não houve premiação com medalha de ouro para essa categoria.

Esta é a primeira edição da Cachaça Ipueira em carvalho francês, é uma edição limitada, armazenada por 5 anos. Ela vem numa bela garrafa quadrada e com um rótulo também muito bonito. Uma ótima opção para presente e claro, pra se deliciar. Pena que a gente só encontra no comércio de Areia ou na lojinha do engenho Ipueira.

Um excelente produto que demonstra e bem representa o refinamento da produção cachaceira da Paraíba.

UEPB: Laboratório desenvolverá pesquisas para melhoria da cachaça paraibana

Medida agrada aos produtores e deverá aumentar a qualidade das cachaças fabricadas no Estado

A Paraíba é referência nacional na produção de cachaças de qualidade, mas ainda carece de uma estrutura laboratorial que permita fazer análises químicas do destilado. Atualmente, todas as análises para avaliar o perfil químico das cachaças fabricadas por aqui são feitas fora do Estado (ganham com isso os laboratórios sudestinos e o  Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), endereço preferencial dos produtores paraibanos).  Os laudos de análises são fundamentais para a comprovação, junto ao Ministério da Agricultura, de que o produto atende aos parâmetros químicos de qualidade exigidos pela legislação federal, estando apto ao consumo humano.

É importante frisar que cada exame tem um custo aproximado de R$ 600, valor esse que “afugenta” quem quer se legalizar e reforça a informalidade.

O mesmo problema ocorre com as leveduras utilizadas na fermentação do caldo da cana-de-açúcar que será destilado. Essas leveduras, na maioria das vezes, ou são adquiridas comercialmente a altos preços, ou são desenvolvidas no próprio engenho, sem um mínimo de tecnologia, o que não assegura a qualidade do produto final. Leia a importância das leveduras na produção de cachaças nesse meu post.

Laboratório de Microbiologia e Fermentação

Sensível a essa necessidade e buscando minorar nossa carência técnica,  o Centro de Ciências Agrárias e Ambientais (CCAA) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Campus de Lagoa Seca, criou o Laboratório de Microbiologia para Fermentação.

Construído dentro do Complexo Agroindustrial do Campus II, o laboratório vai realizar pesquisas com leveduras para fermentação alcoólica. O objetivo final é isolar cepas específicas usadas na fabricação da cachaça nos engenhos de alambique do Estado.

Conforme explicou o diretor do Campus, professor José Félix, o laboratório dará suporte às pesquisas realizadas com fermentação alcoólica para melhorar a qualidade da cachaça produzida na região. A maioria dos produtores de cachaças do Estado, segundo ele, ainda trabalham de forma artesanal e isolados, necessitando de tecnologias e pesquisas no que diz respeito à fermentação do produto.

“Com esse laboratório, vamos poder realizar pesquisas importantes de algumas leveduras específicas que, porventura, possam ocorrer na região, sobretudo no Brejo, isolar e trabalhar com melhorias de leveduras através da biotecnologia”, explica o professor.

O Laboratório, em convênio com a Fapesq, ainda receberá mais R$ 187 mil em equipamentos

O laboratório vai operar em sintonia com o engenho de alambique do CCAA, que já produz licor, vinho e a cachaça Serra da Borborema. Professor Félix ressaltou que a ideia não é comercializar a cachaça, mas criar uma identidade com o produto. Em breve, o laboratório receberá outros equipamentos modernos, graças ao convênio da Instituição com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), em um investimento de R$ 187 mil na unidade.

Um exemplo a ser seguido

O anseio dos que atuam na cadeia produtiva da cachaça na Paraíba é que esse tipo de iniciativa da UEPB seja replicado às outras instituições.  Assim, poderá ser oferecido o suporte técnico necessário à produção de qualidade das cachaças, incitando os produtores informais a legalizarem seus produtos por meio de diminuição de custos e acessibilidade das tecnologias.

Um exemplo que pode ser seguido é o da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Lá foi criado o Laboratório de Análises de Qualidade de Aguardente (LAQA). Esse laboratório realiza análises, pesquisas e cursos voltados à aguardente, vende seus serviços à iniciativa privada e se autossustenta com isso.

As análises realizadas no Laboratório seguem os procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em que constam todas as análises exigidas, sendo os laudos emitidos de acordo com os parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira, atestando a qualidade do produto comercializado.

Então, parabéns à UEPB e que outras  boas notícias como essa venham em breve, a Paraíba e suas deliciosas cachaças agradecem.

Engenho da Paraíba utiliza sequenciamento genético na sua produção de cachaça

Se você tem acompanhado a coluna Confraria do Copo, na Rádio CBN Paraíba, já sabe que a cachaça é produzida por meio da destilação do mosto fermentado da cana-de açúcar. Agora, o que pouca gente sabe é que uma empresa paraibana de cachaça decidiu investir em alta tecnologia, para melhorar o processo produtivo de fermentação do seu mosto, que é o caldo da cana diluído em água.

Localizado no Litoral  paraibano, o Engenho Baraúna refinou a sua produção graças à utilização da tecnologia de sequenciamento do DNA, para a seleção da levedura utilizada no mosto.

O trabalho teve a colaboração de uma das mais prestigiadas instituições do Nordeste, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A divulgação foi feita por meio de dois estudos científicos: uma dissertação de mestrado voltada à produção de álcool e outra focada na produção de cachaças, ambas na área de biotecnologia e genética.

Mosto fermentado

As leveduras (fermentos) são organismos unicelulares microscópicos, classificados no reino dos fungos, tal como o mofo e os cogumelos.

Como dito acima, a cachaça é produzida pela destilação do mosto fermentado da cana-de-açúcar. A fermentação é realizada com a adição das leveduras ao mosto, elas transformam todo o açúcar da mistura em álcool e gás carbônico. Ao final da fermentação obtêm-se o “mosto fermentado”, também chamado de “vinho da cana”. Esse “vinho” é o produto que posteriormente será colocado para destilação. O tipo de fermento e o processo de fermentação vão definir diretamente na qualidade final de sabor e aroma da cachaça.

 

Mosto fermentando: nessa fase, a levedura transforma o açúcar em álcool e gás carbônico

Seleção do perfil genético

Por meio de uma parceria entre o Departamento de Bioquímica da UFPE (professores Marcos Moraes e Diogo Simões), o Grupo Japungu de Santa Rita-PB e o Engenho Baraúna de Alhandra-PB, foram desenvolvidos estudos sobre a genética das leveduras.

Segundo Alexandre Rodrigues, diretor Industrial do Engenho, durante os estudos, os pesquisadores realizaram o sequenciamento genético de vários tipos de leveduras encontradas no caldo da cana. Foram, então, identificadas e classificadas as que possuíam perfil mais adequado tanto para a indústria do álcool, como para a produção da cachaça.

Um dos resultados do trabalho foi o desenvolvimento de uma técnica eficiente e barata para seleção das leveduras, por meio do controle do perfil do DNA. Este controle é realizado nos  laboratórios da Usina Japungu.

Obtendo a levedura ideal

O mosto fermentado com a Dekkera b. propicia ao destilado a formação do “rosário” e da “lágrima da cachaça”

Com todas as leveduras mapeadas e caracterizadas, foi identificada para a cachaça uma levedura especial, a Dekkera bruxellensis.  Ela apresenta maior capacidade de produzir componentes desejáveis no destilado, como o aroma floral e frutado e o glicerol, que propicia a  formação da textura da bebida (lágrimas da cachaça) e do bouquet (rosário ou colar).

Ainda de acordo com Alexandre Rodrigues, para inserir a Dekkera b. no processo de fermentação, foram feitos vários testes e ensaios sobre a quantidade populacional adequada frente às outras leveduras, ditas selvagens, que já habitam naturalmente o caldo da cana.

Após as avaliações, chegou-se à conclusão de que o número ótimo da Dekkera b. no volume a ser fermentado seria de 20%.

Antes do início da safra, a Usina Japungu envia relatórios com o percentual das leveduras obtido. Quando o percentual chega ao nível ideal (20%), são coletados cerca de 1.000 litros para iniciar o processo de moagem. Após iniciada a fermentação, são então mantidos os controles de qualidade da produção e da quantidade de leveduras, priorizando-se a qualidade do aroma e o sabor da cachaça.

O produto final

Ao final desse processo, obtêm-se a Cachaça Baraúna, que consegue unir a tradição paraibana em produzir excelentes cachaças brancas com a alta tecnologia da engenharia genética, aplicada à produção de destilados.

De fato, por experiência própria, a Baraúna apresenta uma excelente estrutura de viscosidade (lágrimas) e entrega à boca a sensação aveludada de uma bebida com baixíssima acidez, apesar dos seus 42% de teor alcoólico. No olfato temos a presença da cana-de-açúcar, do mel de engenho e dos aromas frutados, dando à bebida uma grande complexidade sensorial.

A única ressalva que posso fazer não é com relação ao conteúdo, mas quanto à apresentação, pois, apesar do belo rótulo com fonte em art nouveau, a Baraúna merece uma garrafa mais condizente com tanta qualidade e tecnologias embarcadas.

 

 

 

IBOPE e SPC-Brasil criam o “Índice da Cachaça”

 

Pesquisa  mostra que o brasileiro está consumindo mais cachaça para tentar esquecer a crise.

 

Quem diria que a economia teria fortes ligações com o consumo e venda da cachaça? Pois tem! Para esquecer da crise, o brasileiro está bebendo mais…cachaça, especificamente. Isso é o que aponta um estudo do PeopleScope, divulgado em  maio passado, pelo Ibope DTM, unidade do IBOPE Inteligência e do SPC Brasil. Nesse estudo encontrou-se uma correlação que foi batizada de “Índice da Cachaça”. Na correlação, quando a expectativa a respeito da economia cai, o consumo de cachaça dispara.

É isso mesmo! Quanto menor a expectativa do consumidor, medida mensalmente pelo IBOPE ( Índice Nacional de Expectativa do Consumidor  -INEC), mais garrafas de cachaça são vendidas em 3 redes varejistas monitoradas no Sudeste.

Só bebendo para esquecer

Em dezembro de 2015, quando o INEC acumulava queda de 11,8% em relação ao mesmo período de 2014 e estava 12,2% abaixo de sua média histórica, as vendas de garrafa de cachaça chegaram ao seu maior nível.

O PeopleScope dividiu a população brasileira em 13 macrosegmentos e 42 segmentos e encontrou o “efeito cachaça” em todos e independente de classe, mas em diferentes intensidades.

“As pessoas trocaram o lazer externo pelo interno”, diz Bernardo Canedo, presidente executivo do Ibope DTM. Ele diz que o efeito é maior com a cachaça mas também foi visto em outras bebidas.

De 7 categorias de produtos vendidos no mercado, a que engloba bebidas, frutas, legumes e verduras foi a única cujos gastos subiram em 2015 na comparação com o ano anterior.

Enquanto a quantidade de itens comprados caiu 4,6%, o valor médio gasto com alcoólicos subiu 1,1% e a ida ao mercado para comprá-los aumentou 4,4%.

“O aperto financeiro nos últimos anos no país obrigou o brasileiro a ajustar seus gastos, mas alguns itens quase sempre observam um aumento na média, ajustado pela inflação no período, a cachaça é um deles”, diz Roque Pellizzaro, presidente do SPC Brasil.