O que Bolsonaro tem a aprender com os “cachaceiros”

 

Há algumas semanas,  em resposta à declaração do ex-presidente Lula, de que o país está sendo governado por “um bando de malucos”, o Presidente da República  disparou que pelo menos não era governado por  “um bando de cachaceiros”.

Por óbvio, todos nós achamos a declaração lamentável. Se a intenção de Bolsonaro era se referir a um eventual abuso do uso de álcool pelo Lula, ele poderia ter usado termos como “bêbados”, “alcoólicos”, “ébrios”… Ao escolher “cachaceiro”, O termo lança sobre um único produto específico (A CACHAÇA)  todo o peso dos problemas do abuso do álcool, Bolsonaro alimenta preconceitos arraigados que são um grande obstáculo ao desenvolvimento do nosso destilado nacional, símbolo e orgulho do país.

Melhor fez o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que presenteou o ministro da Justiça, Sérgio Moro, com uma cesta de produtos mineiros, incluindo a Cachaça. Zema demonstrou consciência do valor econômico e simbólico da Cachaça, um produto com cinco séculos de história no Brasil e qualidades equivalentes às de qualquer um dos melhores destilados do planeta.

Se a cachaça mineira pode representar e refletir o valor de Minas Gerias e do seu povo, o mesmo vale para a Cachaça produzida em alto nível em muitos estados brasileiros, por exemplo, aqui na  Paraíba, a cachaça já é tida e vista por muitos como um produto representativo do nosso estado. E isso se deve ao trabalho e perseverança dos “cachaceiros” (que é o termo correto dados aos produtores de cachaça). Pessoas abnegadas e trabalhadoras que lutam contra vários fatores internos e externos para dignificar nosso destilado nacional.

Alguém seria capaz de imaginar o presidente francês dizendo que seus adversários são “um bando de bebedores de champagne”? Ou a Thereza  May da Inglaterra dizendo que seus adversários políticos são “um bando de bebedores de  wisque”? Iam levar era uma vaia e talvez um processo de impechmant.

Britânicos, franceses, russos, mexicanos orgulham-se e valorizam as suas bebidas nacionais. É exemplo que deveríamos seguir, inclusive o Sr. Presidente.

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